As indianas adoram apaixonadamente a flôr de lotus apesar da particularidade que lhe attribuem de fazer acalmar o ardor das paixões.
Parece que esta mesma crença era corrente no Egypto antigo, e que é devido a ella o terem sido encontradas flores de lotus cobrindo as partes sexuaes das mumias.
Outr'ora, nos sacrificios indianos, o sangue do sacrificado era sempre recolhido sobre petalas de lotus; os primeiros christãos dedicaram tambem o lotus á Virgem ornamentando-lhe os altares exclusivamente com estas flores.
Para os gregos o lotus é o simbolo da belleza e as donzellas de Athenas, nos dias de festa, enfeitam-se de preferencia com flores de lotus.
Segundo uma antiga lenda grega, uma nimpha apaixonou-se doidamente por Hercules. Vendo que não podia alcançar ser correspondida pelo grande heroe, atirou-se a um rio, onde morreu afogada.
Jupiter, compadecido das desditas da enamorada nimpha, transformou-a na brilhante flôr do lotus.
Diz uma lenda buddhica que o rei Pandu, n'uma guerra que sustentou com vassalos seus adoradores de Buddha, que se tinham revoltado contra a sua soberania, se apoderou do templo principal onde era preciosamente guardado, em luxuoso altar, um dente do grande deus indiano. Pandu, para provar o seu poderio, mandou triturar o dente e lançar os fragmentos a uma grande fogueira, para que ficassem completamente consumidos. Porém, mal os restos do dente cahiram sobre o fogo, este extinguiu-se completamente, brotando logo do centro da fogueira uma enorme flôr de lotus, no interior da qual foi encontrado intacto o dente de Buddha.
Pandu, assombrado por este milagre, converteu-se a buddhismo sendo depois um dos mais fieis e ardentes sectarios da magestosa divindade indiana.
A mitologia conta-nos tambem que a nimpha Lotis, sendo perseguida por Priapo, foi transformada em Lotus, escapando assim ao dissoluto deus.
Esta lenda parece ter sido imitada da seguinte antiquissima lenda indiana, que encontramos publicada no Jornal de Viagens: