Havia em Ellora um sabio brahmane que tinha uma formosa filha, a gentil Hevah, a dos olhos de esmeralda.

Um dia que ella tinha ido ao templo subterraneo, onde se adora o senhor dos mundos, o divino Brahma, e que estava em oração com os olhos fitos na imagem do auctor dos dias, fallou-lhe assim o divino Brahma:

«Ó minha bem amada. As meninas dos teus olhos são como duas flores de lotus que se abrem na superficie esmeraldada dos lagos».

Do rosto do deus jorrava uma claridade divina; Hevah tocou a terra com a fronte, e não se atrevia a olhar.

E Brahma repetiu:

«As meninas dos teus olhos são como duas flores de lotus que se abrem na superficie esmeraldada dos lagos».

E Hevah que nunca ouvira a ninguem aquellas frases, continuava, pudica, de rojo, ante o divino senhor dos mundos.

Porém, eis que Brahma repete terceira vez aquella phrase de amor.

Hevah, então, levantou a fronte do pó, cobriu o rosto com o veu e fugiu do templo; e foi mirar-se na superficie do lago; e entrou pelo remanso das verdes aguas.

Dormiam os saurios o somno da sesta. E as garças reaes, dormitavam n'um pé só, sobre o dorso dos grandes reptis.

E eis que de repente ella sentiu que os seus pés tomavam raiz; e que os seus braços se lhe tornavam duas enormes folhas verdes; e que os olhos se lhe desabrochavam em dous formosos nenuphares; e ouvia-se a voz de Brahma:

«Os teus olhos, ó minha bem amada, são como duas flores de lotus que se abrem na superficie esmeraldada dos lagos».

[SENSITIVA.]

A sensitiva, a Mimosa pudica dos botanicos, é uma das plantas que mais téem sido discutidas e das que até hoje mais despertaram a attenção não só dos homens da sciencia mas tambem de todos os profanos, pelos curiosos movimentos das suas folhas.

As sensitivas são dotadas de movimentos espontaneos e movimentos provocados.

Ao cahir da tarde os foliolos começam a pender a unirem-se uns aos outros, dispondo-se para o somno nocturno.

São os movimentos espontaneos.

Este somno póde ser provocado artificialmente colocando a planta na obscuridade. A falta de luz faz com que o phenomeno acima apontado se produza logo nas suas folhas.

Os movimentos provocados são porém de todos os mais curiosos e os que deram o nome e fama á planta. Basta que um pequenino insecto pouse em qualquer dos foliolos da sensitiva, ou que se toque n'elle com um corpo estranho, para o foliolo se comprimir immediatamente e apoz elle os outros proximos, movimento que se propaga ás folhas de todo o ramo e até ás de todo o vegetal, se o contacto do corpo estranho fôr violento ou demorado.

Estes movimentos estão em relação directa com o desenvolvimento e vigor da planta.

Quanto mais a planta é forte e robusta tanto mais os movimentos são accentuados e demorados.