[CARVALHO.]
Hercules, o lendario gigante invencivel, regressando um dia de praticar uma d'aquellas suas tão memoraveis façanhas, deitou-se em pleno campo para dormir a sesta. Antes porém de se confiar aos braços de Morpheu, no sólo, junto a si, na previsão de qualquer repentino e inesperado ataque, espetou a pesada máça, mais forte que o ferro, e com que esmagava tudo quanto lhe oppunha obstaculo aos seus designios.
Dormiu o bom do gigante por muito tempo e quando acordou era quasi noite; procurou logo a arma predilecta, e com assombro viu em lugar d'ella uma pujante e formosissima arvore! A máça, ao contacto do sólo, enraizara, desenvolvera tronco, lançara ramos, folhas e fructo.
Hercules furioso arrancou o vegetal e, quebrando-lhe os ramos, fez do tronco uma nova e formidavel clava, mais sólida e forte que a que antes possuira.
Porém, dos fructos esparsos pelo sólo, nasceram ao depois novas identicas arvores, que para sempre ficaram sendo o emblema da força e do vigor.
Estas arvores são os carvalhos.
[CHÁ.]
Dakkar era um ardente devoto de Siva a cruel deusa indiana que só gosta de morticinio e de sangue, e que recebe as adorações mais submissas, profundas e completas d'uma legião de crentes que habitam nos misteriosos recessos das florestas da India, d'essa terra das lendas e das maravilhas. Havia annos que vivia n'uma gruta em ardente adoração; de estar sempre de joelhos creara calosidades que lhe não permittiam endireitar as pernas, e as unhas dos dedos das mãos, que conservava fechadas havia annos, tinham rompido os tecidos e appareciam do lado opposto.
Não havia martirio a que se não sujeitasse, e as populações fanaticas consideravam-o Santo e vinham de longe render-lhe homenagem e pedir-lhe conselhos.
Só uma nuvem negra, um pesar profundo perturbava o misticismo de Dakkar. Soffria sem custo o frio, a fome, a sede, as mais incommodas posições, dominando á vontade o organismo, só não podera ainda vencer o somno! Debalde se esforçava por resistir, debalde fazia despejar sobre si quantidades enormes de agua fria, debalde se sujeitava á applicação do ferro em brasa, ou fazia vibrar o tam-tam junto dos ouvidos. O somno como mais forte, subjugava-lhe a vontade e obrigava-o a dormir. No seu desespero chegou a fazer cortar as palpebras cuidando assim que espancaria para longe o somno, mas a tortura foi baldada. Os olhos permaneciam abertos mas Dakkar dormia!