O enterro da santa princesa foi a coisa mais maravilhosa que sonhar-se póde. Toda a nação a acompanhou até junto da sepultura aberta no centro de um extenso e alegre campo de arroz.
Poucos dias depois—caso estranho!—o local onde jasia o corpo da gentil princeza assignalava-se por uma profusão de flores estranhas, desconhecidas de todos, que espontaneamente brotaram do sólo, com as petalas graciosamente encaracoladas como o fôra o cabello da morta gentil, e de mil coloridos diversos desde o negro como os seus olhos negros, vermelho tão vivo como o que em vida lhe tingia os labios, e amarello intenso como o oiro dos seus cabellos até ao branco impeccavel da sua alma purissima.
De toda a parte, desde os mais remotos confins do imperio, o povo, celebrando o milagre, corria a visitar o tumulo milagroso para colher hastes das plantas sagradas que se tornaram logo as predilectas de todos, espalhando-se rapidamente por todo o paiz.
[ROSAS.]
As rosas attrahiram desde a mais alta antiguidade a attenção de todos os povos e por isso não é de estranhar o grande numero de lendas que correm a seu respeito.
Os Egypcios tinham-as em grande valor, ornando-se com ellas, uso que passou aos romanos e d'estes a todos os povos modernos. Ainda não ha muito que appareceram em varios tumulos egypcios restos reconheciveis de rosas.
Os Hindus dizem que o sol é uma rosa vermelha, e os poetas antigos asseveram que as rosas eram todas brancas ao principio tomando a côr vermelha do sangue de Adonis, segundo uns, de Venus, segundo outros.
A Aurora era representada outr'óra sob a forma de uma grinalda de rosas, a rosa deu o nome ás festas da primavera (rusalija), a Virgem christã que substituiu no culto a Venus antiga adoptou como seu o mez das rosas e tem tambem o nome de rosario o cordão com contas, primitivamente composto com tractos da Rosa canina, com que as mulheres piedosas marcam as suas rezas.
Os papas aproveitaram um fragmento do antigo culto da rosa, dando annualmente na Paschoa uma rosa d'oiro aos principes mais religiosos da christandade.
Na Idade media, reminiscencia sem duvida do costume das dissolutas da Roma antiga se ornarem de rosas na festa da Venus Erycina, condemnavam as mulheres publicas, as raparigas deshonradas e os judeus, a trazerem como signal distinctivo uma rosa.