Os Romanos nos banquetes punham coroas de rosas na cabeça e ornavam com ellas as taças por onde bebiam em virtude de crerem que estas bellas flores preservavam da embriaguez.

A rosa foi não só simbolo da luz, do amor, da voluptuosidade, mas tambem simbolo funerario. Nas lendas persas as rosas e os cyprestes andam unidos; junto dos tumulos plantavam-se antigamente roseiras ao lado dos cyprestes.

Segundo uma velha lenda irlandesa, quando um doente vê uma rosa é signal e morte.

Os Turcos dizem que a rosa nasceu do suor de Mahomet, os Indianos fazem-a apparecer de um sorriso da voluptuosidade, segundo Galiano é filha do orvalho, e a crêr-se no que affirma Justin de Mieckow brotou do suor de uma mulher chamada Jone, suor que por um phenomeno singular era branco de manhã e vermelho ao meio dia. D'ahi as rosas brancas e as vermelhas.

Anacréonte ensina-nos que Cybéle, para se vingar de Venus, creou a rosa com o fim de pôr em parallelo a belleza de Venus com a belleza da rosa.

Guillemeau diz que a rosa foi rainha e virgem e conta assim a sua historia:

«Existiu n'uma cidade da Grecia e reinou em Corintho; a fama da sua bellesa espalhou-se largamente por todas as cidades ainda as mais distantes. A Achaïa quis possuir esta nimpha proporcionando-lhe as mais illustres allianças.

O bravo Halesia collocou-se em primeiro logar, em seguida Briar, que se orgulhava em ser filho do ceu, Arcas distincto dos outros deuses por possuir dois pares d'azas e por ultimo o vencedor de Thebas depoz tambem os seus louros aos pés da joven princeza possuido dos sentimentos affectivos de todos os outros adoradores. Mas a altiva belleza respondeu aos amantes que a importunavam: Não é facil obter um coração como o meu, nem julgueis que vos é possivel seduzir-me. Quem me quizer ha-de vencer-me.

Disse, e com um andar altivo encaminhou-se para o templo consagrado a Apollo e a Diana, seguida dos parentes e de todo o povo. A nympha approximou-se do altar e invocou a deusa protectora da castidade. N'isto os amantes furiosos despedaçaram as portas do templo e travou-se um combate encarniçado; a joven rainha sustentou o choque com firmesa, e defendeu-se com tanto vigor que expulsou para longe os ferozes amantes, cujo procedimento pouco delicado a ultrajava.

Quer que o pudor irritado désse novas graças á belleza quer que a victoria a tornasse mais imponente, Rhodante brilhava com um esplendor tão divino que o povo deslumbrado exclamou em côro:

Que a bella Rhodante seja d'hoje para o futuro a deusa d'este templo. Tiremos Diana do altar.

A antiga deusa teve de ceder o logar á nova, mas Apollo indignado por este cumulo de audacia resolveu vingar o ultrage feito á irmã e com um raio luminoso lançado obliquamente mostrou a aversão que tinha a Rhodante, e logo tudo mudou n'ella; os pés ligaram-se-lhes fórtemente ao altar, raizes alongaram-se e, privada repentinamente de todo o sentimento, ficou immovel, tornando-se-lhe duros os incantos vencedores. Os braços estenderam-se e transformaram-se em ramos de arvores carregados de folhas. Já não é a bella Rhodante, a orgulhosa rainha, mas uma arvore.

Porém a metamorphose não a prejudicou, visto que sob uma outra fórma conservou a primitiva insensibilidade e a sua belleza deslumbrante.

Toda a sua desgraça foi ser formosa, mais formosa que Diana aos olhos dos adoradores que a amaram.

Quasi logo o mesmo povo que tinha ultrajado Diana, agitou-se e esforçou-se pola vingar.

Sepultam Rhodante sob montões de espinhos que em logar de a prejudicar lhe serviram de defesa.

Os que doidamente a amavam foram tambem metamorphoseados: Briar foi transformado em verme, Arcas em mosca, e Halesia em borboleta, e sob esta forma vivem constantemente junto da nympha cruel a quem a metamorphose não mudou».

O marquez de Chesnel dá-nos noticia da seguinte lenda grega:

«Apesar de consagrada desde a mais tenra infancia ao culto de Diana, Rosalia formou o projecto de desposar o bello Cymédoro.

Mas não se affronta impunemente a colera dos Deuses. Apenas acabava de pronunciar aos pés do altar do hymineu os juramentos sagrados, uma flecha despedida por Diana trespassou-lhe o coração. Cymédoro com a cabeça perdida lança-se sobre o corpo da esposa, mas... oh prodigio! em lugar das formas seductoras da noiva só estreita de encontro ao peito um arbusto coberto de espinhos e flores odoriferas que recebeu depois o nome da infeliz Rosalia».

Abel Belmont, resume assim uma outra lenda que lhe foi transmittida por Joseph Balmont: