—Quantas vezes por dia?
—Não posso tambem dizer.
—Quantas vezes por hora, ao menos?
—Não sei, já disse.
—Em resumo, não sabe coisa alguma... É natural. Tanto tempo sem se confessar! E com respeito ao terceiro mandamento, o de guardar os dias santificados?[2]
—Acuso-me de, na quarta-feira da semana passada, que era dia de festa, não ter ido á missa.
O padre fez um movimento brusco, e exclamou numa voz a custo reprimida:
—Isso é demais, senhora condessa. Não posso tolerar que caia em similhantes faltas, e se V. Ex.ª...
—Meu padre—murmurou, aterrada, a dama,—não me dê esse tratamento. Quando me trata por condessa, fico a tremer, porque é para mim um sinal de que está zangado.
—E estou-o, com efeito, minha senhora; não assistir á missa em dia de preceito é uma coisa horrivel. Não posso perdoar-lhe. Chore, chore, mas lembre-se de que o que é necessario são atos e não lagrimas.