—Imponha-me a penitencia que quizer; estou disposta a cumpril-a; por minha parte mandarei hoje dizer duas missas no altar das almas.

—Bem, bem, é preciso emendar-se, porque o diabo, oh! o diabo é muito sagaz, e, como sabe que a senhora condessa é tão boa, quer distrail-a do cumprimento dos seus deveres, e isso é obra de Satanaz. Vá, continue.

—O quarto, honrar pae e mãe; mando dizer muitas e muitas missas por alma de meus paes, e assim os honro; amo e respeito os ministros do altar.

—Tem rezado pelo nosso pae espiritual, o Sumo Pontifice?

—Sim, padre; tenho rogado a Deus para que aumente os seus dias e a sua infalibilidade, para bem da egreja.

—Isso é muito louvavel, minha filha, e a Virgem vê com agrado tudo o que fazemos.

Passemos ao quinto mandamento.

—Disso não tenho que acusar-me.

Não é estranho que a condessa de X... não sentisse remorsos na sua consciencia em face deste mandamento; pois ela, como a maior parte dos catolicos, ignorava que não mata o seu similhante só aquele que dá um tiro ou uma punhalada, cometendo peor acção aquele que mata a honra do individuo; pois que a calunia é peor do que um punhal.