—Digo, padre, que desejo servir a Deus e amal-O sobre todas as coisas.
—Deseja servir e amar a Deus?
—Sim, padre.
—Pois essa é a tarefa mais dificil e, portanto, a mais meritoria nestes tempos. A heresia tem invadido tudo; hoje diz-se mal de tudo; põe-se em duvida o poder da Virgem, e fazem-se esforços inauditos para destruir a religião que recebemos dos nossos paes.
A condessa deu um suspiro.
—Sim—continuou o padre,—é preciso desagravar a tão fortemente agravada Virgem Maria, e os maiores inimigos que tem a religião são os protestantes.
—E quem são essas pessoas?
—É uma canalha, senhora condessa, uma canalha; inimiga do clero e da nobreza... Porém são de uma sagacidade pasmosa, metem-se em toda a parte e, como pertencem ás mais infimas camadas da sociedade, necessitam de trabalhar para comer, e não se lhes importa comer o pão daqueles proprios a quem odeiam... Oh! aquelas pessoas que teem operarios devem ser muito cautelosas em saberem a gente que empregam no seu serviço!
—Hoje mesmo falarei ao administrador da minha casa, e, se houver lá algum operario nessas condições, será imediatamente despedido.
—Pois era ahi que eu queria chegar, sr.ª condessa. V. ex.ª tem muito perto de sua casa um protestante.