—É isso mesmo—exclamou entusiasmado o mestre carpinteiro—tem razão o rapaz. Vinho tinto, sim, porque sem ele não se pode tocar, nem cantar, nem bailar. O vinho é preciso para tudo, e tanto que sem ele os padres não podem dizer a missa. Bem se expressou aquele que disse: «Onde não ha vinho não ha talento». Brigida,—acrescentou ele, dirigindo-se a sua mulher—enche um cangirão com vinho e tral-o cá.

Deixemos agora que se divirtam e festejem o santo portuguez a seu modo. Entretanto vamos visitar o nosso amigo Julião e sua familia.

O nosso amigo, acompanhado de sua mãe, está sentado á mesa, á espera que lhe sirvam a ceia. O pequenito Paulo dorme no seu berço, e Dôres vem da cosinha com a comida, que coloca em cima da mesa.

Á sala, onde estão, chega o ruido que vae na casa de seu visinho João.

—Demos graças ao Senhor—disse Julião, depois que Dôres se sentou á mesa.

Todos inclinaram a cabeça, e Julião dirigiu a Deus a seguinte oração:

—Oh! nosso Deus! Damos-Te graças pelos bens que nos dispensas, dando-nos saude, trabalho e sustento; abençôa a minha familia, e o meu filhinho, abençôa a oficina, e perdôa a esses pobres cegos ali do lado que Te estão ofendendo; lembra-te dos pobres e dos enfermos; o que tudo Te pedimos pelos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Salvador. Amen.

—Conte-nos agora—disse Julião, dirigindo-se a sua mãe,—o que vocemecê leu hoje na sua Biblia.

—Cheguei ao versiculo 25 do cap. 11 do Evangelho segundo S. Mateus, onde Jesus diz: «Graças Te dou a Ti, Pae, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sabios e entendidos e as revelaste aos pequeninos». Meditei sobre isto, e que grande verdade é que Deus nos revelou coisas tão importantes que as podemos sentir mas que nunca poderemos expressar!