—Ao catolico romano pouco se lhe importa ir á missa e dali ao baile; isto no dia do Senhor. E que proveito tira da missa?

—Ouve o Evangelho, ou uma parte dalguma epistola.

—Sim? Pois peço-lhe ao senhor, que é catolico romano e que certamente ha de ter ouvido alguma missa, que nos diga o que sabe do Evangelho que tem ouvido na egreja?

—Senhores—respondeu ele,—a falar a verdade, costumo ir poucas vezes á missa, porém eu não sei o que o sacerdote diz... Está disposto a fazer a obra para o dia que indiquei?

—Estou, sim, senhor—respondeu Julião,—porém, pelo que diz respeito a trabalhar no domingo, não trabalho.

—Quer dizer que pelas suas exquisitices vou ser prejudicado, não abrindo o estabelecimento no dia que quero. Vamos, Julião, seja razoavel, deixe-se de protestantismos e trabalhe, que é isso o que lhe dá de comer.

—Sr. Mariano, é completamente inutil que se empenhe em fazer-me trabalhar ao domingo, pois por todo o dinheiro do mundo não o farei.

—Nesse caso, ponto final na questão. Não o incumbirei de mais trabalhos.

—Bem, como quizer; obedeço a Deus, e é quanto basta.