Ambos os esposos ajoelharam, e pouco depois ouviu-se a voz de Julião, que pronunciou esta singela oração:
«Senhor, aumenta a nossa fé; agora mais do que nunca, necessitamos de crêr para sermos fieis... Não sabemos até onde nos provarás, porém estamos seguros de que Tu nos ajudarás. Sim, Pae Eterno, se temos sido fieis no tempo da prosperidade, justo é que o sejamos no tempo da adversidade.
Agora dá-nos a Tua benção, pelo amor de Jesus. Amen.»
Chegou por fim o dia destinado para que o nosso amigo Julião desocupasse a loja.
A senhora Brigida e Antonia estão em casa de Dôres.
—O caso é—disse Brigida—que, se meu marido estivesse em Madrid, daria o dinheiro a teu esposo e não havia necessidade de fechar a loja.
—Julião—respondeu Dôres—certamente que não aceitaria dinheiro, não tendo probabilidade de o pagar.
—Que coisas tens, Dôres!—exclamou Antonia.—Se meu pae emprestasse dinheiro a Julião, não fecharias a loja, e pode ser que com o andar do tempo melhorasseis de situação. Eu sei que a Biblia prohibe ter dividas; porém é claro que, entre irmãos, e quando é por uma precisão, não é prohibido, pois que a palavra de Deus manda que os irmãos se socorram entre si.
—Dize-me, Dôres—perguntou a mulher do carpinteiro,—não poderia ser que Julião pedisse alguns dias de espera, e entretanto eu escrevia a meu marido? Oh! se nós chegassemos a saber isto a tempo, teriamos escrito a João sem vós o saberdes, e tudo se arranjaria...