O padre Francisco saiu, mas ainda Dôres estava com a tal estampasinha na mão quando Julião, abrindo a porta, e observando que sua esposa tinha um papel na mão, aproximou-se, perguntando-lhe o que era.
—Uma imagem da Virgem Maria que me deu o padre Francisco—respondeu ela.
—E como ou com que fim te deu o padre Francisco esse papel?
Dôres contou a seu marido o sucedido, e depois disse:
—Que pensas fazer?
—O que penso fazer?—respondeu Julião.—Dizer ao padre Francisco que não torne a falar-te de religião, e, pelo que respeita á obra, far-lha-hei se podér, mas que não venha cá falar-me em condições, porque...
—Julião, chega-te á razão e pensa no nosso filho. Além disso, o padre Francisco apresentou-me umas razões de bastante peso, ácerca da Virgem.
—Para grandes provas me tem reservado o Senhor, e a mais dura é ver a tua falta de fé. Escuta-me, Dôres, e jámais duvides da palavra d’Aquele que disse: «Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão...»
—Julião, a minha fé vacilou alguma coisa, porém eu rogarei a Deus para que a aumente.
—Bem, oremos a Deus.