—Sim, senhor; sei dalguns.
—São aqueles que não quizeram sujeitar-se aos seus votos e para quem a religião era uma coisa pesada. Finalmente, Dôres, creia-me, o que lhe está sucedendo não é mais do que um aviso de Deus, um preludio de acontecimentos mais graves; não me admiraria se ámanhã lhes morresse o seu filho.
—Cale-se, senhor!
—E era um grande favor que a Virgem lhes fazia, pois que seria melhor para ele morrer do que ficar eternamente condenado.
—E porque ha de o meu filho ser condenado?
—Porque a educação religiosa que lhe derem não pode ser boa.
—Nós o educaremos na fé do Salvador e nas maximas do Evangelho.
—Sim, porém dum Evangelho corrompido, e mostrando-lhe um Salvador que o não poderá salvar, porque lhe falta a autorização de Sua bemdita Mãe.
—Padre Francisco, Jesus não necessita de autorização de ninguem, pois que «salva quem quer».
—Que lhe pedirá seu filho que a senhora não lhe faça? Pois tambem Jesus não pode fazer senão o que Sua bemdita Mãe manda. Emfim, noutra ocasião falaremos mais detidamente sobre este assunto. Queira dizer a seu esposo que esta tarde virei falar-lhe, e que a obra, de que o venho encarregar, lhe fará ganhar uma boa quantia. Passe bem, sr.ª Dôres; medite em tudo o que temos falado, e creia-me: sem Maria, nem o céu seria céu. Tome esta estampasinha e reze deante dela umas Avé-Marias, pois de cada vez que o fizer ganhará cem dias de indulgencia.