CAPITULO XVIII
Pobre padre Francisco

Depois dum dia em que a Providencia de Deus havia tão misericordiosamente tirado a Julião dos apuros em que se achava, este, com o coração inundado de gozo, preparou-se para prégar na casa que o visinho, por um impulso espontaneo, lhe havia cedido para lá falar de Deus.

O padre Francisco não podia levar a bem estas coisas. Sagaz e manhoso, media a grandes passos o soalho do seu gabinete, vestido de habitos talares, com um barrete de veludo preto na cabeça, e o cigarro na boca; passeava ali, meditando no modo de exterminar Julião e com ele a má semente, quando umas ligeiras pancadas soaram na porta.

—Entre—disse o padre Francisco.

A creada foi dizer-lhe que a sr.ª Joana desejava vêl-o.

—Que entre—disse o padre.

Momentos depois entrou uma mulher, que saudou o padre, beijando-lhe a mão, e dizendo-lhe:

—Disseram-me que vossa senhoria deseja falar-me, e por isso venho aqui para saber o que deseja.

—Os meus agradecimentos. Diga-me: hontem á noite foi ouvir o vidraceiro?