—Sim, senhor; agora já não fala no corredor, mas sim em casa do sr. Hipolito. Á noite foi lá muita gente; e olhe que disse coisas muito boas; falou de Deus, das tentações de Jesus, quando o diabo Lhe disse que convertesse as pedras em pães, e quando o Senhor lhe disse que a Deus sómente se deve adorar... A este respeito disse que era um grande pecado a gente pôr-se de joelhos deante dos santos... finalmente, falou muito bem...

—Basta, basta—exclamou o padre Francisco.—Senhora Joana, aquilo que Julião disse não foi mais do que uma serie não interrompida de erros, condenados pela egreja, pelo papa, pelos concilios e por todos aqueles que teem sido reconhecidos por santos. Aposto que não falou bem dos padres?

—Nem bem, nem mal.

—Aposto que não falou bem da egreja romana?

—Não disse nem uma palavra.

—Não importa, esse silencio é um pecado. Disse alguma coisa de Maria santissima?

—Não, senhor.

—Já se vê; pois se os protestantes não crêem nela!... Todos esses propagadores de nova especie não são senão pessoas que teem por oficio enganar os outros, a troco duma certa quantia que recebem para isso.

—E com que interesse?...

—Oh!—interrompeu o padre Francisco—Vocemecê não pode compreender o interesse que teem, nem o fim que teem em vista. Se não fossem os sacerdotes, já teria desaparecido a religião dos nossos paes! Para socego da sua alma, eu peço-lhe que não vá ouvir essas más doutrinas.