—Muito bem, senhor padre Francisco—respondeu a mulher, farei tudo o que mande.

—Porém é mister, em troca, ajudar a egreja.

—Sim, senhor, sim, eu a ajudarei.

—Bem; pois pode fazer com que nessa casa não se préguem mais heresias, e eu a recompensarei.

—Como?

—A habitação onde mora fica pelo lado de cima do quarto onde préga esse doido. Agora o que podemos fazer é arranjarmos gente para fazer muito barulho, correr dum lado para o outro, assobiar, arrastar as cadeiras, etc. etc. Deste modo, como o ruido os distrairá, não poderão entender-se, e acabará por não ir ninguem á reunião. Eu darei duas pesetas por cada noite em que haja reunião.

—Será servido, senhor padre Francisco, não pelo interesse do dinheiro, mas sim para agradar a Deus, e esta mesma noite começaremos a tarefa; asseguro-lhe que esta noite não se entenderão. Porém o meu quarto é muito pequeno, e não alcança senão uma parte da sala onde eles se reunem: seria bom dizer áquele que vive no quarto do lado para que faça o mesmo.

—Bem; arranje tudo e faça o que bem lhe pareça, comtanto que consigamos o fim desejado: interromper as reuniões.

—Bem; assim se fará.