O padre Francisco deu tres pesetas á mulher, que hipocritamente não queria recebel-as; porém por fim aceitou-as e saiu.
Poucos momentos depois de ficar só, o padre Francisco tornou a encetar o monologo interrompido pela chegada da sr.ª Joana.
—Deste modo—dizia comsigo—não poderão durar muito as reuniões, porém o caso é que todos falam bem do que dizem essas pessoas. Não, pouco tempo lhes durará o passatempo; agora já é outra coisa: se o meio de fazer barulho não surtir efeito, vou ter com o senhorio, ofereço-lhe cinco pesetas mais do que Julião lhe dá, e com certeza que o despede.
De repente olhou para o relogio de parede e exclamou:
—Com a bréca! Dez horas menos vinte, e ás dez tenho de dizer missa!... Vamos!
Em seguida poz a capa, e, depois de recitar algumas orações em latim deante dum crucifixo de marfim, saiu.
—Terão já aberto a loja que pertenceu a Julião?—pensava ele ao descer a escada;—sendo assim, entro e direi ao novo inquilino que deite bastante agua benta em todos os cantos para afugentar o diabo.
Nisto chegou á rua, e efectivamente a loja do vidraceiro estava aberta, se bem que nas estantes não houvesse nada e os vidros estivessem sujos. Evidentemente o novo inquilino estava-se mudando.
O padre Francisco foi pôr por obra o seu pensamento; chegou á porta da vidraça, levantou o fecho, abriu, e um grito saiu de sua boca. No meio da loja estava um homem dando ordens para a colocação dos objetos, e esse homem era... era... Julião.