—Tem toda a razão. Até depois.

Entretanto, os visinhos partidarios do catolicismo, ou, antes, aqueles que, sendo indiferentes a toda a denominação religiosa, eram cegas maquinas do padre Francisco, faziam os maiores esforços, já que não podiam impedir as reuniões, ao menos para estorvar a tranquilidade que deve reinar nelas.

Para que os nossos leitores possam formar uma idéa do que costumam fazer os inimigos do Evangelho, referiremos o que se passou um domingo á noite em casa do sr. Hipolito, emquanto se celebrava o culto.

Como dissemos, era domingo.

Ás oito horas da noite, a habitação do sr. Hipolito estava cheia de gente. Num dos extremos da sala ha uma mesa, e por detraz dela está um joven de vinte a vinte e cinco anos de edade, vestido modestamente: fala sobre o que está escrito no Evangelho de S. Mateus, cap. 7:16. «Pelos seus frutos os conhecereis».

Emquanto ele se esforçava por demonstrar aos seus ouvintes como cada um mesmo podia conhecer-se e dar a conhecer aos outros se era cristão, o teto da sala parecia vir abaixo.

Pancadas no soalho, gargalhadas, cantigas em altas vozes, ruido de objetos que rodavam em direcções opostas, um barulho similhante ao duma habitação de loucos, e não dum aposento onde vivessem creaturas racionaes.

Além do incomodo que isto causava, distraindo aqueles que escutavam, não pode dizer-se o mal que isto causava ao prégador, distraindo-o tambem e obrigando-o a levantar a voz e a não descançar um momento afim de manter a atenção do auditorio.

—Sim—dizia ele,—pelos frutos bons ou maus de cada um, isto é, por meio das nossas obras na vida diaria, é que conhecemos e damos a conhecer se somos cristãos...