Neste momento uns fragmentos de gesso cairam do teto, emquanto que se sentia um ruido infernal.

Alguns dos que estavam escutando sairam e dirigiram-se á habitação do visinho de cima para pedir-lhes que fizessem menos barulho.

Penetremos nós ali para ver em que se ocupam aqueles servos de Roma.

Em uma pequena habitação acham-se umas vinte pessoas de ambos os sexos, que ao som duma guitarra desafinada saltam, pateiam, correm, vão e veem.

Sobre uma mesa suja e imunda está um grande jarro com vinho.

A desordem que reinava era medonha. Ao principiar a festa, a dona da casa havia-lhes dito que o objeto da reunião era impedir, por meio do barulho, os cultos protestantes que se celebravam no quarto que ficava pelo lado de baixo. Para melhor os animar, disse-lhes um sem numero de desatinos que devemos calar, e por fim declarou-lhes que o padre Francisco lhes pagava aquele jarro de vinho, pão e queijo, para passarem agradavelmente aqueles momentos.

Quando souberam que o fim com que ali se reuniam era para dar escandalo, fizeram-no com a maior alegria.

Cantavam as mais grosseiras canções, misturadas com freneticos morras dados aos protestantes; e não é de estranhar que fizessem tudo aquilo em nome da religião, visto que era um sacerdote quem pagava a despeza, e tudo era feito por inspiração sua.

As pessoas que se dirigiam a este foco de infamia chegaram por fim. Ao aparecerem, cessou o barulho, e um deles, que vivia na casa, disse á senhora Joana:

—Vimos pedir-lhes que façam menos barulho, pois aquilo que estão fazendo é indicio de má creação, que não podemos tolerar.