—Nós—replicou a senhora Joana—estamos em nossa casa, onde ninguem manda, e onde podemos fazer o que muito bem nos der na vontade.

—Sim, menos incomodar os visinhos; é esta uma casa em que vivem muitos moradores, e portanto não ha que atender á comodidade particular, mas sim á geral.

—Sabe o que lhe digo?—respondeu, desagravando-se, a senhora Joana—pois se nós os incomodamos com o barulho do baile, bailem vocês tambem: e incomodar-nos-hemos dessa maneira mutuamente e... Além disso, se vocês não estivessem fazendo bruxarias, não teriam dado logar a isto. Sobretudo, estou em minha casa... e o que disse está dito.

—Olá!—acrescentou, dirigindo-se aos seus amigos,—toca a bailar. Viva a religião! Morram os protestantes!

Era quasi certo que romanos e protestantes viriam ás mãos, se não se apresentasse a autoridade do logar, acompanhado do dono da casa em que se celebrava o culto evangelico.

A dita autoridade foi presenciar a reunião evangelica, e foi testemunha ocular de tudo o que se passou; pelo que, chegando á porta do quarto, no momento mesmo em que Joana pronunciava as palavras que já conhecemos, disse:

—Boas noites, senhores.

Aquelas «boas noites» fizeram com que o socego se restabelecesse.

—Parece-me que é demasiado o barulho que vocês fazem, e venho dizer-lhes que isso incomoda os visinhos.