No dia seguinte, poucos minutos antes das tres, o joven evangelista batia á porta do padre Francisco, que veiu logo receber o seu hospede, estendendo-lhe a mão com a expressão mais afectuosa, e dizendo-lhe:

—Seja bemvindo, senhor Mateus; entre, entre na minha habitação, onde descançará e jantará comigo.

Entraram juntos na sala, e, passados alguns momentos de silencio, disse o padre Francisco:

—Queira desculpar que, sem o conhecer, lhe oferecesse um talher á minha meza.

—É para mim subida honra—respondeu o joven—o receber uma tal prova da sua bondade para comigo.

Seguiram-se alguns momentos de silencio, durante os quaes o joven não desviava os olhos dum precioso armario de pau preto, que o padre tinha em frente da meza de jantar.

—Bonito movel!—exclamou Mateus.

—Realmente—exclamou o padre Francisco—é uma bonita peça, porém o que é mais bonito e tem mais valor é o que está dentro.

O padre Francisco levantou-se, dirigindo-se ao armario, e poz o dedo num botão amarelo, o que deu logar a que as portas se abrissem, deixando ver uma especie de capela com o seu altar, imagens e uma lampada de prata, cuja luz ardia continuamente. Ao abrir-se o armario, o padre Francisco tirou o solideo, fez uma reverencia ao altar e, voltando-se para Mateus, disse-lhe:

—Venha ver, que ha aqui coisas esplendidas.