CAPITULO XXII
Temor, inquietação e duvidas
Quando o sacerdote ficou só, fechou-se no seu quarto, depois de dar ordem á creada de que por ninguem nem por coisa nenhuma o fosse incomodar.
O padre Francisco sentou-se á mesa do escritorio, sobre o qual poz o candieiro e a Biblia.
Depois apoiou os cotovelos na mesa, ocultou o rosto entre as mãos, e nesta posição esteve muito tempo.
Durante este intervalo só se ouvia o oscilar da pendula do relogio, que vinha perturbar o profundo silencio que ali reinava.
Por fim, o padre Francisco, mudando de posição, disse:
—Ah! Que revolta confusão de idéas surgem no meu espirito... Sim, sinto uma sêde insaciavel de saber a verdade do assunto... Esse joven é mais sabio do que eu julgava, seus argumentos são de peso, e suas palavras teem tal expressão de verdade que, se não me convenceram, pelo menos fizeram penetrar a duvida no meu espirito.
O sacerdote calou-se, e depois duma breve pausa continuou comsigo: