—As citações que fez, e que lemos nesse livro—dizia, apontando para a Biblia,—tão gravadas ficaram na minha mente que jámais as esquecerei... Oh! receio ter cometido um pecado, lendo este livro! Porém... Porventura não li eu as notas e não vi que estão conformes com a explicação e até mesmo com a aplicação que delas fez o joven?... E, no fim de tudo, os Evangelhos e as Epistolas que nós lemos á missa... Ah! a missa! Parece que tão pouco acredita nela! Não, pois neste ponto não lhe concedo nada; eu sei que Jesus instituiu a missa quando instituiu o sacramento da Eucaristia, e sei que os apostolos tambem disseram missa...

Novamente o padre Francisco se calou, porém ao cabo dalguns momentos continuou:

—Emfim, vou ver o que é a verdade... Lerei os capitulos que me disse da Epistola aos Hebreus... Certamente que lerei as notas; e assim não haverá receio de que o meu espirito se extravie.

O padre Francisco abriu a Biblia, procurou a Epistola e principiou a ler o capitulo 4, depois de ter recitado uma breve oração em latim.

Diversas foram as impressões que o padre Francisco recebeu durante a leitura; impressionavam-no sobremaneira os versiculos 14 e 15 do cap. 4; o 20 do cap. 6; porém sobretudo surpreendeu-o o que estava escrito nos versiculos 24 e 28 do cap. 7, e não poude passar mais adiante.

Ali, viu clara e terminantemente a falsidade de que a missa seja o sacrificio de Cristo.

No versiculo 21 do citado cap. 7, leu ácerca de Cristo:

«Que não tem necessidade, como os outros sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrificios, primeiramente pelos seus pecados, depois pelos do povo, porque isto o fez uma vez, oferecendo-Se a Si mesmo.»

Recorreu o sacerdote ás notas, desejoso de que elas lhe fizessem compreender outra coisa distinta daquilo que ele compreendia, isto é, que depois do sacrificio de Cristo teria havido alguma razão poderosa para se celebrar a missa. Ancioso, cravou os olhos no livro e leu: