Já haviam decorrido oito dias desde que Julião tinha regressado a Madrid, e quatro desde que ele havia falado com o padre Francisco.

Julião tornou a encarregar-se do culto que se celebrava em casa. Uma noite, depois de prégar, anunciou aos concorrentes que na noite seguinte um novo prégador desejava dirigir-lhes a palavra, e taes coisas disse e por tal modo encareceu o assunto, chamando a concorrencia dos assistentes, e especialmente dos visinhos, que na noite de que vamos falar a sala do culto, corredor e mais dependencias, donde se podia ouvir, estavam atulhadas de gente.

No semblante de todos via-se desenhados os desejos mais veementes de conhecer o novo prégador.

Chegou, por fim, a hora de principiar o culto, e a curiosidade ia satisfazer-se.

Julião ocupou a cadeira que ficava pelo lado detraz da meza, invocou o auxilio do Senhor, cantou-se como de costume um hino, fez-se oração, e em seguida Julião leu o cap. 55 de Isaias.

Em logar de tomar o texto para prégar, Julião afastou-se para um dos lados da meza, quando acabou de ler. Neste momento abriu-se uma porta de vidraça, que ficava pelo lado de traz dele, e entrou um individuo, que veiu ocupar o logar do prégador.

Este individuo, vestido de preto, fez com que todos os concorrentes exclamassem, possuidos de profunda admiração:

—Oh! O padre Francisco!!!

Houve uns momentos de assombro geral, durante os quaes foram sentar-se a ambos os lados da meza Julião e o joven evangelista Mateus.

Passados aqueles momentos, o padre Francisco disse: