—Boas tardes, sr. João. Como vae Antonia?

—Mal, muito mal. Filha da minha alma!

—Senhor João—disse Julião muito comovido—não se aflija. Emquanto um doente tem vida, ainda ha esperança. Venha comigo cá para dentro, que temos que falar.

Quando chegaram á sala e se sentaram, Julião deixou que o seu amigo se tranquilisasse um pouco, e chamou por sua mãe para que trouxesse um copo de agua.

—Então, sr. João!—disse a senhora Josefa, apresentando-lhe o copo com a agua—não se entregue á dôr dessa maneira, tenha confiança em Deus.

—Deus, Deus—exclamou o carpinteiro,—Deus não ouve, Deus está...

A senhora Josefa ia a responder, porém um gesto de Julião indicou-lhe que saisse, e assim o fez, dizendo:

—Jesus está em toda a parte.

—Senhor João—disse Julião quando sua mãe saiu,—ha sucessos na vida mediante os quaes é posta á prova a alma do homem. Quando um pae sofre o que vocemecê está sofrendo, e crê e confia em Deus, não se desespera assim.

—Não sei, Julião, o que teem as suas palavras, que tanto me consolam; porém, não, não, minha filha não deve morrer tão joven... eu proprio a disputarei a Deus.