—Exactamente.

—Oh! com mil bombas! Ouve tu—dirigindo-se a outro—; naquela casa mora um protestante: deveriamos chamal-o e obrigal-o á força a abrir a porta e trazer uma luz.

—Não, deixae-vos de loucuras, cada um é livre de pensar como quizer—respondeu ele.

—Bom, bom—disse um homem já de edade,—por essa tolerancia da mocidade em admitir estrangeiros é que a Hespanha está assim.

—Não—respondeu uma visinha,—ámanhã mesmo o comunicaremos ao sr. padre Francisco, pedindo-lhe que diga ao senhorio que despeça aquelas aves de mau agouro.

Neste ponto terminou a conversa, pois que tinha tambem terminado a cerimonia da administração do Viatico á enferma. Pôz-se tudo na mesma ordem; tornou a soar a campainha, e o Deus inventado pela Egreja romana saiu de casa, e lá foi novamente nas mãos dum simples mortal.

Vejamos entretanto o que estava fazendo aquela familia que conservou a porta sempre fechada, e que nem uma triste vela acendeu á passagem do viático.

Dôres, Josefa e Julião estavam sentados na sala, tendo este ultimo deante de si um livro aberto.

—Que tristeza—disse Julião—me causa tudo o que se está passando na casa de João! Que diferente é o que estão fazendo com Antonia daquilo que o Senhor ordena na Sua Palavra! Leiamol-a e vejamos o que se deve fazer com os enfermos. Na Epistola de S. Tiago, cap. V, vv. 14 e 15, lê-se o seguinte: «Está entre vós algum enfermo? chame os presbiteros da egreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará; e, se estiver em alguns pecados, ser-lhe-hão perdoados.» Taes são as instruções que temos na Palavra de Deus, e portanto não devemos afastar-nos delas, desprezando-as.