—Que queres, minha filha?

—Quero ver Dôres.

—Para quê? O confessor disse que não falasses com ela.

—Não quero saber do que disse o confessor; o que eu quero é falar com ela, e tanto basta. O confessor encheu-me de muito medo, impoz-me uma penitencia que... finalmente, quero ver Dôres.

—Minha filha, socega, não penses em nada, nem te recordes de nada.

—Minha mãe—disse Antonia, já bastante agitada—já disse que quero ver Dôres, e hei-de vêl-a. Ela entende-me e diz-me umas coisas que ninguem as sabe dizer... quero ver Dôres, já disse... e se fosse possivel...

Mestre João, desejoso de ouvir o que dizia sua filha, tinha-se aproximado pé ante pé da alcova, escutou a petição de sua filha, e em seguida entrou e disse resolutamente.

—Para que queres ver Dôres?

—Para falar com ela—respondeu Antonia.