Julião ficou silencioso, observando o efeito que aqueles textos faziam na enferma. Por fim, Antonia disse:
—Porém não tenho que fazer nada para salvar-me?
—A Palavra do Senhor diz-lhe: «Crê sómente e serás salva», e acrescenta: «Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo.»
—Porém, Julião, isso parece-me uma coisa impossivel, porque sou muito pecadora...
—Sim? Pois precisamente por isso póde apropriar a si as palavras de Jesus, que diz: «Não vim a chamar os justos, mas sim os pecadores». Pode por isso considerar que Deus perdoa gratuitamente, mas, se ainda lhe resta alguma duvida, atenda que é o proprio Jesus que vae falar: «O Filho do Homem veiu buscar e salvar o que havia perecido; e todo aquele que vem a mim, não o lançarei fóra».
—Ah! Julião, que doce consolação para a minha alma! Porém parece-me impossivel que Deus me ame dessa maneira.
—Ouça o que diz a Sua Palavra: «De tal maneira Deus amou ao mundo, que lhe deu Seu Filho unigenito, para que todo o que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna.»
—Oh! como Deus é bom! Porém, como nenhum dos meus confessores me disse nada dessas coisas, senão que, ao contrario, o P.ᵉ Francisco, apezar da fraqueza em que eu estava, me sobrecarregou com uma penitencia que...
—Os confessores sabem a razão por que calam essas coisas, e a menina tambem algum dia o saberá. Agora o importante é que creia no bom Jesus, e que o aceite como seu Salvador.
Houve outro momento de silencio; ninguem se atreveu a interrompel-o. Por fim, mestre João disse: