—Agora, meus amigos—continuou Julião—apliquemos esta parabola a nós mesmos. Todos temos pecado. Cada um de nós é um filho prodigo, nosso pae é Deus, e perdoar-nos-ha Ele? Sim, certamente, porque «se o estipendio do pecado é a morte, a graça de Deus é a vida perduravel em Cristo Jesus» (Rom. 6: 23). Deste modo se explicam as palavras de Jesus: «Assim vos digo que haverá maior jubilo no céu sobre um pecador que se arrepender do que sobre noventa e nove justos que não hão mister de arrependimento» (Luc. 15: 7). Não crê, querida Antonia, que Deus quer e pode perdoar-lhe desta maneira?

—Oh! dificil é explicar o que sinto; sómente posso dizer que creio de todo o coração que Jesus é meu Salvador e que estou salva.

—Que o Senhor abençoe a sua fé.

Todos se levantaram para se despedirem; Julião e sua familia dirigiram-se para casa.

João e as mulheres ficaram falando, com louvor, de Julião. Brigida sómente repetia:

—Não, não, a mim não ha nada que me arranque das minhas opiniões. Parece verdade, parece...

Pouco tempo depois toda a gente, menos a tia de Antonia, que ficava aquela noite a cuidar dela, se retirou para descançar.