—É verdade, sr. João—respondeu Julião. Depois de guardarem alguns momentos de silencio, disse Julião:
—Porque não se senta, sr. João?
—Com muito gosto—respondeu este, sentando-se num banco ao lado de Julião, e acrescentando: Como vamos com respeito a trabalho?
—Tenho mais do que o que se pode fazer. Acabo de tomar uma encomenda de caldeirões para um regimento de artilheria, e trabalhamos sem cessar, graças a Deus.
—Pois eu tambem tenho muito que fazer. Alem do trabalho da casa, ainda tenho oito obras de fóra.
—Eu—continuou Julião—vou começar a fazer serão de ámanhã em deante.
—Como assim?—perguntou o carpinteiro—vae trabalhar ámanhã, que é dia de Santo Antonio?
—E porque não? Ámanhã, no meu entender, é um dia como os outros.
—Certamente—replicou o sr. João.—Olhe, eu não sou lá muito amigo dos santos; mas no dia de Santo Antonio não consinto que em minha casa se prégue um prego. É santo a quem quero muito, porque é o advogado da minha filha. É verdade que eu devia trabalhar ámanhã, porque na segunda feira tenho de entregar umas travessas! Mas, dia por dia, prefiro trabalhar no domingo.
—Trabalhar ao domingo é coisa que eu não farei, porque Deus assim o manda e é preciso obedecer-Lhe.