Nunca amara senão sua mãe, que já tinha morrido, e a gloria, que desejava alcançar.

Coração impressionavel, mas adormecido, as mulheres eram para elle como flôres formosas de um jardim.

N'uma palavra, Ernesto ainda não tinha encontrado o seu bello ideal, o perfume da sua alma.

A mulher formosa, para elle, só era uma bella obra onde o grande artista, que se chama a natureza, derramara os seus mais preciosos dotes.

Vejam, pois, como a casualidade lhe proporcionou o meio de pagar de um modo terrivel o tributo das almas sensiveis, que é o amor.{7}

Como dissémos, Ernesto habitava uma casinha nas proximidades de Roma.

O atelier, situado na parte que dava para o jardim, recebia a luz de duas grandes janellas por onde entravam os caprichos e interessantes braços de algumas trepadeiras.

Era uma tarde do mez de Maio. Ernesto estava retocando uma figura quando veiu o creado dizer-lhe que um cavalheiro e uma senhora desejavam falar-lhe.

—São hespanhoes, disse o criado, e parece-me que o conhecem.

—Hespanhoes? exclamou Ernesto, largando a paleta. Que entrem immediatamente!