Amparo ao vêl-o, deixou cair a penna da mão, exclamando:
—Ah! é o sr. Ernesto!
—Elle proprio, respondeu D. Ventura, collocando familiarmente uma mão no hombro do pintor. Surprehendeste-te, não é verdade? Pois olha que a mim tambem me succedeu o mesmo, apezar de o esperar mais dia, menos dia, visto a exposição abrir em meados do mez.
Durante este curto dialogo, Ernesto guardou silencio. Os olhos tinha-os fixos em Amparo e os labios entre-abertos deixavam assomar um sorriso tão amargo como doloroso.
Amparo por sua parte, parecia perturbada. A presença inesperada de Ernesto produzira-lhe um effeito desagradavel. Nos olhos d'aquelle homem estava o ameaçador olhar do amante offendido.
Aquelle homem era para ella um terrivel presagio, um vivo remorso. Desejava estar a cem leguas d'alli.
—Sem duvida, que viemos importunar esta senhora, disse Ernesto procurando dominar-se.
—Não, senhor Ernesto; escrevia a uma amiga, e tenho tempo. Só á noite é que parte o correio.
—Demais, disse D. Ventura, o senhor não é uma visita importuna para nós, mas um bom amigo a quem tratamos com o maior prazer e recebemos sempre com satisfação. Se assim não fosse commetteriamos uma ingratidão. De fórma nenhuma se esquecem facilmente as nossas excursões por Florença e Roma.
Innocentemente D. Ventura feriu no mais recondito o coração da fllha.