—Creio, senhor Ernesto, que concluiu o seu quadro que vimos começado em Roma, disse Amparo.
—Sim, minha senhora, concluio-o, e espero depois{96} de ámanhã, requerer um logar para a proxima exposição.
—Onde iremos admiral-o e orgulharmo-nos, porque somos amigos do pintor, ajuntou D. Ventura.
—Quem o duvida?
—Mas dize-me: onde está o teu marido. Desejava apresentar-lhe Ernesto.
—Fernando foi esta manhã a Madrid e não volta senão á tarde.
—É pena; mas tudo se póde remediar, ficando Ernesto e almoçando comnosco.
Decididamente D. Ventura parecia disposto a atormentar a filha.
Ernesto comprehendeu que Amparo desejava vêr-se livre da sua presença, mas a noticia inesperada do seu casamento, causára-lhe tão terrivel effeito, que acceitou o almoço que lhe offerecia D. Ventura, só pelo prazer de atormentar aquella coquette que brincára com o seu coração para depois o despedaçar.
O almoço ia ser egualmente terrivel para os dois, mas Ernesto devorado pelo ciume, pela raiva, pelo desespero, estava resolvido a soffrer tudo.