—«Meu amigo, tenho um capricho de homem rico que desejava satisfazer. Se o senhor não se escandalizasse e quizesse, a cabeça da rainha Esther poderia ser o retrato da senhora que em breve será minha mulher. Ha algum inconveniente n'isso?{123}

—«Nenhum, senhor conde, lhe respondi. Nem conheci a celebre judia da tribu de Benjamin, a bondosa sobrinha de Mardoques, nem vi mesmo algum retrato d'ella, mas desde já aposto qualquer cousa em como a mulher do rei Assuero não foi mais bella do que a joven que d'entre em pouco será a condessa de Loreto.

«Poucos dias depois, a cabeça de Esther era um retrato bastante parecido da senhora D. Amparo de Aguillar, condessa de Loreto.

«Assim fica explicada a similhança que com a esposa do senhor conde de Loreto tem a figura principal do meu quadro.

«Peço-lhe me desculpe o incommodo que lhe causo, mas a rectidão do meu caracter e o agradecimento a isso me obrigam, e antecipadamente agradece, o que é

De V. S.ª

Att.º V.or Cr.º e Obrg.º

Ernesto Alvarez.»

Quando Amparo acabou a leitura ouviu a voz do marido que lhe pedia auctorização para entrar. Entrou com o jornal na mão.

—Entra, Fernando. Não precisas auctorização para entrar no meu quarto, lhe respondeu.