O conde approximou-se da mulher e depois de lhe ter dado um carinhoso beijo na face e dirigir-lhe um sorriso amoroso, disse:

—Bom dia, querida Amparo, bom dia. Vejo que ambos lemos o communicado de Ernesto.

—Sim; meu pae mandou-me estes jornaes.

—Tambem m'os mandou a mim, e vinha perguntar-te se sabes o que se passou entre teu pae e Ernesto.{124}

—Não sei.

—Fosse o que fosse, a conducta d'esse rapaz não póde ser mais nobre. Bem vês que nos offerece o quadro, porque tu bem sabes que lh'o não comprei.

—Sim, é um rasgo de generosidade pouco vulgar n'um homem que não tem outro patrimonio senão os pinceis.

—Mas nós não podemos consentir em similhante offerta.

—Ou pelo menos compensal-o com outra.

—Dizes bem. N'este assumpto convém proceder com toda a delicadeza. Vinha lêr-te isto mas como já lêste, retiro-me e vou vêr Ernesto. Almoçamos juntos?