—Sim, meu Fernando, espero-te aqui para me contares tudo o que resolveres.

Fernando tornou a abraçar a mulher e sahiu.

Amparo ao vêr-se só, deixou-se cair n'uma cadeira e leu pela segunda vez o jornal.

—Ah! exclamou, exhalando um suspiro que brotava do mais fundo da sua alma. Ernesto vale cem vezes mais do que eu. Causei toda a sua desgraça. O coração tambem me diz que serei a causa da sua morte. Que Deus me perdôe o mal que fiz a esse homem.

E, cobrindo o rosto com as mãos, deu livre curso ás lagrimas.

[CAPITULO XX]

Abnegação

Quando o conde entrou no quarto de Ernesto, acabava este de se vestir.

Pallido, com o parecer cadaverico, o semblante do{125} pintor tinha impressos os profundos vestigios da enfermidade que lhe minava o peito.

O conde admirou-se de o vêr levantado. Ernesto, sorrindo, veiu-lhe ao encontro.