Durante aquelle dia, Ernesto, Mauricio e Petra occuparam-se em arrumações, transformando a sala em atelier para o pintor.

—Agora, meus amigos, só me falta advertil-os d'uma cousa, disse Ernesto. Estou doente, e como todos os doentes tenho as minhas rabugices. Quando{138} estiver no meu quarto, depois de me chamarem duas vezes para comer e eu não vier, comam sem esperarem por mim.

Mauricio e Petra notaram que Ernesto estava muito pallido e com mau parecer, que tinha uma tosse tão sêcca e importuna que não prophetisavam nada de agradavel para o seu hospede.

Quando Mauricio e sua mulher recolheram ao quarto, ella disse:

—Uhn! Parece-me que o senhor Ernesto não viverá por muito tempo.

—O mesmo penso eu.

—Sabes, Mauricio, que me parece que deve haver algum mysterio em tudo isto?

—Anh! As mulheres não pensam n'outra cousa. Aqui não ha outro mysterio senão que o senhor Ernesto está doente e que se vem restabelecer.

—Seja como fôr, que seja bem vindo, porque com elle veiu a fortuna.

Mauricio não respondeu. Como a mulher, suspeitára que algum desgosto atormentava o seu hospede, mas mais prudente que Petra, disse de si para comsigo: