Voaram as perdizes, surprehendidas no seu doce bem-estar, á sombra de um sobreiro, e como o violento e rapido vôo da perdiz excita e põe nervoso o caçador aficcionado, Mauricio exclamou:

—Vamos a ellas, senhor Ernesto.

—Sim, sim, vamos, já que não disparei.

Mauricio esqueceu n'aquelle momento que levava por companheiro um doente fraco, e foi depressa, ou melhor dizendo, a correr pela encosta de um barranco.

Ernesto fez esforços para o seguir mas a meio caminho largou a espingarda, extendeu os braços e cahiu desamparado. Tinha desmaiado.

Mauricio deteve-se assustado, pegou no seu hospede ao collo e deitou a correr até casa, que não era longe. Petra ao vêl-o entrar, trazendo Ernesto nos braços, não poude conter um grito.

Mauricio continuou o seu caminho e deitou Ernesto na sua cama, o qual, pouco depois, abriu os olhos, enviando um sorriso de agradecimento ao caçador.

—Diabo! Que susto que me pregou, senhor Ernesto! Julguei que se despenhava pelo barranco.

—Bem vês, Mauricio, que não presto para nada, nem mesmo para caçar. Já estou melhor. Mas em quanto não estiver em estado de te acompanhar, dedicar-me-hei{142} a caça de espera. Agora tranquilliza-te, hoje em vez de caçar, pintarei. É preciso matar o tempo.

Uma hora depois, Ernesto mais alliviado, tomava algum alimento e punha uma tela n'um cavallete.