Pensou alguns minutos qual o assumpto de que trataria primeiro, e acabou por decidir-se, esboçando a scena que pouco antes succedêra no barranco.
[CAPITULO XXIII]
Uma caçada
Durante oito dias Ernesto não tornou a pegar na espingarda. De manhã, pintava, á tarde, seguido pelos cães dirigia-se a um monte proximo de casa, sentava-se na parte mais alta e como gozava disfructando o panorama que aquelle sitio apresentava, passava largas horas immovel como uma estatua.
Algumas vezes, já noite, Mauricio ia buscal-o e ambos regressavam a casa.
Ao nono dia, Ernesto chamou Mauricio.
—Desejo que vás a Madrid, disse-lhe, entregar este quadro á pessoa que te indicarei, mas preciso primeiro que matemos um javali, para offerecer á mesma pessoa.
—Para isso é preciso fazermos uma espera toda a noite, e como o senhor está muito fraco...
—Não te inquietes com a minha fraqueza; esperaremos. Preciso de um javali.
—Posso matal-o sósinho, se quizer.