—Está peor? lhe perguntou.
—Não, não; é o prazer que experimento n'este momento. Se tornasse a renascer em mim a paixão da caça, talvez esquecesse uma historia que me assassina, que será a causa da minha morte.
O pintor revelára a Mauricio n'um arranco de enthusiasmo, a causa da sua melancholia, a origem da sua doença.
—E que fazemos agora? perguntou Ernesto.
—Primeiro que tudo castrar o macho para que sangre e a carne perca o gosto a bravo.
Mauricio levantou-se, tirou a faca de matto da bainha, e sahiu do esconderijo, dirigindo-se para o sitio onde estava o javali.
Ernesto segui-o, examinando com o mais particular interesse todas as operações que Mauricio fazia ás duas peças mortas.
O caçador depois de lhe abrir todo o ventre e de lhe tirar os intestinos, pendurou-os pelos pés para que sangrassem e ficassem limpos. Depois lavou as mãos na agua do charco, e disse:
—Agora diga-me se quer dar por terminada a caçada ou quer fazer nova espera, apezar de me parecer melhor, o primeiro caso, pois é preciso esperar pelo menos duas horas até que volte outro javali.
—Vamos para casa. E as rezes?{151}