—Pelo que vejo, Ernesto diverte-se pelos montes?

—Diverte-se, exclamou o caçador, tudo menos isso;{154} está muito doente, dorme pouco e não tem appetite. A bem dizer que se alimenta só com café e rhum. Tenho cá um palpite em que não morrerá de velho.

Todos escutavam com interesse as palavras de Mauricio.

—Disseram-me que traz uma carta e uns quadros, disse Fernando.

—A carta está aqui: os quadros deixei-os n'aquella casa.

O conde leu em voz alta o seguinte:

«Senhor conde de Loreto

«Ignoro ainda se é proveitosa ao meu corpo esta soledade em que vivo ha vinte dias, mas conheço que é ao espirito.

«No cume d'estas montanhas não se vêem homens, não se encontra a animação nem o bulicio das grandes cidades, mas o ar é mais puro, o horisonte mais limpido, o ambiente mais perfumado e respira-se com mais facilidade.

«Seja como fôr, espero sem sobresalto que se resolva o problema da minha enfermidade, sem me occupar muito se será ou não vantajoso o desenlace.