D. Ventura ouvia Ernesto de bôcca aberta. Tudo isto para elle era grego. Amparo não deixava de se sorrir. Entre elles começava a existir uma grande intimidade, a intimidade que produz as sympathias.
—Sabe o que desejo vêr, sr. Ernesto? disse Amparo. É o Colyseu. Li, não me recordo em que livro, que visto n'uma noite de luar é surprehendente.
—Os viajantes julgam segundo a impressão que os objectos produzem no seu temperamento. Por isso emquanto uns ao percorrer a Palestina a descrevem cheia de frondosidade e poesia que a adornava no tempo de Salomão, outros a classificam de um arido areal, um deserto insupportavel, pobre, povoado por tribus selvagens e ascorosas, mas o Colyseu começado por Vespasiano e acabado por Tito, visto, quer á luz do sol quer á da lua é verdadeiramente admiravel.
—Ainda assim prefiro vel-o de noite, disse Amparo.
—Então aproveitaremos o luar, e hoje mesmo se póde realisar o seu desejo.
—Que dizes a isso, papá?
—Que estou ao teu dispor.
—Fica, pois, combinado para esta noite.{15}
Almoçaram como bons hespanhoes, depressa e sem lhe dar grande importancia, pois não é a Hespanha a terra dos Lucullos.
Do meio-dia ás 5 horas da tarde visitaram algumas casas de campo dos arredores de Roma.