Amparo, comtudo, passou mal algumas noites. Amava com delirio o marido, mas convencida de que ella era a causadora da doença de Ernesto, temia o momento em que uma carta participasse a sua morte, isto é, que em seu peito entrasse o remorso, que tira o somno, que entristece a alma, que põe uma nuvem no coração.


Mauricio chegou ao monte ao amanhecer do dia seguinte; Petra acabava de se levantar, e ouvindo assobiar correu a abrir a porta.

O caçador não vinha só. Acompanhava-o um homem com tres burros carregados com os objectos que o conde enviára a Ernesto.

—Tudo isto é para nos? perguntou Petra, depois de abraçar o marido.

—É para o senhor Ernesto, que lh'o manda um amigo de Madrid. Mas tambem trago um presente para ti.

—Isso já eu esperava porque os bons maridos não se esquecem das mulheres quando vão ás grandes cidades.

O homem começou a descarregar as caixas e o caixote, deixando tudo junto da porta.

Mauricio entretanto metteu dois dedos da mão direita no bolso do collete e tirou a onza que o conde lhe dera, dizendo em voz baixa:{162}

Pega: isto offereceu-me aquelle senhor a quem levei o javali e os quadros como gorgeta. É para comprares o que quizeres.