—Uma onza! Fizeste bem em a não trocares, porque a mulher cuidadosa pensa sempre no dia de ámanhã, e, quando apanha á mão uma moeda d'estas, guarda-a como um remedio contra as necessidades da vida.
—E o senhor Ernesto? perguntou Mauricio.
—Ainda dorme.
—Hontem sahiu?
—Sim, um boccadito de manhã. Voltou muito cançado e comeu pouco. Coitado! está cada vez mais triste. Esta noite entrei no quarto para vêr se queria tomar alguma coisa, e encontrei-o com os olhos inchados, enegrecidos, como se tivesse chorado. Muito grande deve ser o seu desgosto.
Mauricio guardou silencio; e como o homem já tinha descarregado todos os objectos pagou-lhe, dizendo:
—Petra, dá a este homem alguma coisa de comer e de beber.
Mauricio entrou em casa, dirigindo-se ao quarto de Ernesto, e, como reinava o mais profundo silencio, pensou que se não respondesse, chamando baixinho, seria melhor deixal-o dormir.
Chamou, pois, á porta suavemente, mas a voz do hospede respondeu:
—Quem é?