O tiro ferira a raposa nas patas trazeiras; mas com o instincto da conservação arrastou-se até a borda de um barranco, deixando-se cair para a frente.
Ernesto correu até chegar á mesma borda do precipicio.
Mauricio gritou-lhe:
—Cuidado, cuidado, senhor Ernesto. Por ahi não ha passagem.
Ernesto dirigiu um olhar para o abysmo, viu a raposa que fazia esforços desesperados para chegar a uma toca, onde por fim se metteu.
—Indubitavelmente tem alli a femea e os filhos. Se pudessemos descer... disse Mauricio.
—E porque não? respondeu Ernesto, avançando intrepidamente até a abertura do abysmo.
—O terreno está escorregadio; é uma temeridade descer por este despenhadeiro. Um pé em falso, uma tontura, precipital-o-hia a quinhentas varas de profundidade, sobre um leito de pedras.
Ernesto inclinou-se, e, agarrando-se a uma matta que vegetava na borda do abysmo, começara descendo, procurando appoio para os pés nas saliencias da rocha e nos arbustos que cresciam entre as fendas.
Mauricio advertiu segunda vez do perigo imminente que o seu hospede corria, mas Ernesto, detendo-se na{167} sua descida e levantando a cabeça, disse sorrindo-se: