Estavam concluidos os retratos do conde, e de D. Ventura e tinha entre mãos o de Amparo.
Ás vezes chamava Mauricio e perguntava-lhe:
—Conhécel-os? Parecem-se?
—Oh! Muito! São elles por uma penna.{170}
Depois dava um charuto a Mauricio, accendia outro, apezar da tosse que o fumo lhe causava, e continuava pintando.
No quarto do pintor, graças ás offertas do conde de Loreto, encontravam-se todas as commodidades apetecidas. Quatro pelles de leão almofadavam o sobrado; duas commodas cadeiras de braços forradas de marroquim recebiam o pintor quando se sentia fatigado.
Muitas vezes dizia o pintor, sentado junto do fogão e tomando uma chavena de café:
—Isto não é viver n'um monte: é ter um oasis no meio d'um deserto.
Certa manhã recebeu uma carta dos seus amigos Marcial e André, dizendo-lhe que lhe haviam conferido o primeiro premio e que lhe iam levar a medalha: que mandasse um homem á estação de Toledo para os acompanhar ao monte.
Ernesto chamou Mauricio e disse-lhe: