—Que foi, Mauricio? Que succedeu? Morreu o senhor Ernesto?{169}

—Não, não morreu, respondeu Mauricio, está apenas desmaiado. Não te assustes e ajuda-me a mettêl-o na cama.

Um quarto de hora depois Ernesto abriu os olhos, dirigiu um olhar vago em redor, e vendo Mauricio e Petra juntos de si, extendeu-lhes as mãos e disse com difficuldade:

—Obrigado, meus amigos, devo-lhes a vida e agradeço-lhes de toda a minha alma, porque não quero morrer emquanto não concluir os tres retratos que prometti ao conde de Loreto.

—Mau! mau! disse o caçador. É verdade que o perigo foi grande, mas já lá vae. Que maldita raposa.

Ernesto não respondeu, mas, pegando na mão de Mauricio, apertou-a de encontro ao peito com fraternal carinho.

[CAPITULO XXVII]

O anjo da morte

Durante quinze dias, Ernesto não sahiu de casa; pintava de manhã e de tarde. Só alguns curtos momentos deixava a sua tarefa, para dar um passeio em frente de casa.

Vendo pintar aquelle joven febril com os olhos encovados e a respiração fatigante, dir-se-hia que tinha esse afan do homem de genio que presente a morte e que quer concluir a obra que o deve immortalizar.