Todas as reflexões de Marcial, todos os conselhos de André não conseguiram demover Ernesto. Os amigos convenceram-se de que seria inutil falar em similhante assumpto.

Os amigos do pintor ficaram com elle mais tres dias. Chegou a hora da partida. Marcial tinha em ensaios uma comedia e não podia retardar o seu regresso a Madrid. Despediram-se promettendo fazer outra visita no mez de maio, se Ernesto até então não tivesse abandonado os montes.

Ernesto, n'um ponto elevado, viu-os afastarem-se montados nos cavallos e cantando o côro das bruxas de Macbeth.

—Aquelles são felizes, disse com tristeza, porque em seus corações vive a alegria da juventude, a esperança{172} da gloria. Ide em paz, meus amigos, a quem nunca mais verei, a não ser que exista alguma cousa da vida occulta ao olhar do homem para lá d'esse céu azul que se extende sobre a minha cabeça.

Ernesto sentou-se. Uma volta do caminho tinha occultado os amigos, a quem, como acabava de dizer, não tornaria a vêr.

Durante uma hora ficou immovel como o penedo que lhe servia de appoio.

Depois levantou-se, vagarosa e tristemente, dirigiu-se para casa, tirou o retrato de Amparo, collocou-o no cavallete e pôz-se a pintar.



Quando algum conhecido de Mauricio ia caçar aos montes, Ernesto fechava-se no seu quarto e poucas vezes sahia. Pintava, lia, e bebia rhum.