Á tarde foi visitar os seus amigos e jantar com elles.

D. Ventura começava a olhar Ernesto como da familia; é verdade que quando se encontra um compatriota a algumas centenas de leguas distantes da mãe patria, sente-se uma alegria tão grande no coração que o tratamos como se fosse um parente.

A D. Ventura parecia o mais natural do mundo que um rapaz tão bem educado, tão fino, tão illustrado como Ernesto o acompanhasse na sua viagem a Florença.

Emquanto a Amparo, não pensou senão em realisar o seu desejo; viajando com Ernesto, tinha mais encanto a excursão, porque o pintor lhe era sympathico.

Os olhares, os sorrisos, os apertos de mão, as palavras carinhosas são impulsos muitas vezes naturaes do coração feminino, e é sem duvida por isso que não lhes dão nenhuma importancia.

Mas Ernesto pensava de outro modo, e ia reunindo na sua alma simples e apaixonada, um sem numero de esperanças encantadoras, que eram o seu maior thesouro, e que deviam tornar-se a sua maior desgraça, porque o amor quasi sempre é um jogo em que um dos jogadores perde.

Os preparativos de uma viagem em que esperamos gozar e divertirmo-nos são muito encantadores. Ernesto offereceu a D. Ventura um Guia do forasteiro em Florença, preciosamente illustrado, e a Amparo um elegante album para desenhos.

—Temos que trabalhar muito, dizia o pintor, e não podemos consentir que nos importune com perguntas.

—Sim, sim, o senhor Ernesto tem razão; temos que fazer muitos desenhos, e para que se não aborreça, emquanto trabalhamos, lerá o seu Guia deante das obras d'arte que vamos visitar.

D. Ventura para quem não havia maior felicidade{28} do que a alegria de Amparo, vendo-a contente e feliz, ria-se com a expansão de um pae que ama com loucura a filha.