—Que feliz eu sou!...{29}
Amparo sorriu-se e retirou a mão.
Depois, reclinando a cabeça em um dos cantos da carruagem, cerrou os olhos, fingindo que dormia.
Assim collocara certa distancia entre si e Ernesto. Amparo, apezar de nova, tinha mais conhecimento do coração humano do que o seu companheiro de viagem, e temeu que prolongando a conversação á tenue luz do vagon e quasi tocando-se os joelhos, fizesse alguma d'essas concessões de que mais tarde se arrepende a mulher.
Ernesto procurou tambem posição commoda e tentou dormir, mas foi em vão.
Nasceu o dia, e com elle a animação entre os viajantes.
A linha seguia n'aquelle momento o curso do rio Arno. A conversação renovava-se a cada paragem do comboio. D. Ventura lia o nome das estações e procurava no Guia a parte interessante da terra.
Em Signa atravessaram o Arno e não demorou muito vêr-se ao longe as torres elevadas de Florença, os quatro pontos e os quatros bairros.
Ernesto exclamou:
—Alli está Florença, berço do renascimento das artes, patria de Dante, de Petrarcha, e de Galiléu!